Incrivel como ainda não escrevi nada sobre Itacaré. Bom, o mais importante já foi feito, que foi mostrar algumas fotos. Mas começando pelo início. A viagem de Porto Seguro para Itacaré foi outro desafio às minhas costas. Cada viagem longa é uma pequena tortura para a minha escoliose, mas adiante. Imaginem uma carreira urbana de 9 horas. Só assim se explica uma duração tão longa para "apenas" 370 km. Ao longo da viagem as pessoas iam rodando nas cadeiras. Só eu, tive 3 pessoas sentadas ao meu lado. Levava os passeiros de longa distância, mas também as senhoras que iam às compras no outro lado da cidade, ou os trabalhadores que regressavam a casa depois do trabalho. Tudo isto se passou em diversas cidades por onde passámos.
E mais uma vez cheguei de noite. Isto era uma coisa que eu queria evitar, mas, por minha culpa ou culpa dos transportes, chego quase sempre à hora do jantar. Não há grandes problemas com isso, mas reduz a margem de manobra se as coisas com a procura de alojamento não resultarem bem. Nunca houve nenhum stress, mas é de evitar.
Mas depois há sempre o açai, essa maravilha da natureza! Antes de mais, é um fruto, de uma palmeira que existe maioritáriamente na Amazónia. Mas a forma mais popular de o comer é misturando a polpa com gelo triturado. Depois dá para acrescentar tudo o que se quiser, como muesli, pedaços de banana ou frutos secos. Dizem que é um podereso antioxidante e uma bomba vitamínica, mas o que é certo é que já tem mais um fã, que não dispensa um todos os dias.
Falar de Itacaré é falar de praias, especialmente praias de surfistas, pelo menos era o que diziam todos os guias. Mas na realidade dá para ver um pouco de tudo. É um local relativamente pequeno, com o turismo a desenvolver-se muito rápido. Ainda mantem o ambiente um pouco hippie, mas as marcar internacionais estão a começar a entrar, para além das pizzarias chiques com música ao vivo, primeiro sinal do inevitável "aburguesamento". O que limita um pouco essa expansão, pelo menos o tamanho da cidade, é a protecção ambiental. Grande parte dos territórios envolventes têm alguma forma de protecção, e não vai dar para construir muito mais junto ao litoral, felizmente. Como puderam ver pelas fotos, grande parte das praias são um paraiso: imensidão de coqueiros no areal e ladeadas por mata atlântica, essa floresta tão exuberante quanto a floresta amazónica, mas muito mais massacrada ao longo dos séculos. Por esse motivo, se em Arraial da Ajuda passava a vida na cama-de-rede, aqui subi de nível, e mudei pouso para debaixo dos coqueiros junto ao mar... E já consigo viver sem relógio, foi dífícil perder o hábito, mas já consegui!
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